Relendo o blog dele, vááárias vezes ... acabo decorando =p
Porque ler o que ele escreve me faz bem.
Eu entendo muito bem porque eu gosto dele, mas não entendo como ele consegue gostar de mim. Vai ver é como ele disse, que a gente tende a pensar que com a gente é maior que o outro. O engraçado é como eu consigo ser modesta nessa hora =|
Eu tenho que ler que eu ainda represento alguma coisa pra ele. Porque depois de tantas que eu andei aprontando eu não sei se eu me aceitaria.
E não é sempre que a gente pode ficar se baseando e tendo a segurança que tudo vai ficar bem só porque se ama.
Normalmente quem ama come o pão que o diabo amassou, e se encontra sem alternativas pelo fato desse amor. Assunto esse que esteve presente num pedacinho do meu dia.
Curioso.. como ele parece 'mais feliz' no blog. Ou menos afetado. A minha dúvida é será que ele escreveu dessa forma pelo que eu tinha pedido, está havendo uma pequenina transformação a caminho, ou são apenas influências do estado de humor temporário auto-induzido? Não sei, mas confesso que é uma delícia decifrar essa colchinha de retalhos.
Eu queria só que a vida colaborasse um pouquinho com ele. Já é maldade ele morar onde mora, trabalhar do jeito que trabalha e ganhar esse pouco, não ter tempo pra se dedicar as coisas da forma que ele gostaria e pelo fato de não estarmos juntos. Eu sei, eu sei, eu vivo dizendo da coisa da dificuldade e da evolução etc. Mas eu preferia que pesasse mais pro meu lado que pro dele,ao menos nesse aspecto 'material' da vida. Eu lido muito melhor com isso que ele. Eu não consigo ficar sem dormir mesmo com uma dívida alta e sem dinheiro. Então..
Em compensação, essa coisa do emocional é confusa. Hm, saudade dessa palavra =p? Eu não consegui dormir nem 4 horas direito de preocupação ontem.
Estou um bagaço hoje. Por sorte isso não atrapalhou os resultados da consulta dos olhos. Estranho, eu sempre achava que tivesse um alto grau de miopia, sem os óculos a minha visão é quase imprestável =p Mas eu descobri que são apenas 1,25° como têm sido há praticamente sempre =p O médico falou que mais de 0,75 e somos todos ceguinhos. Ao contrário das outras vezes, esse Dr. foi muito simpático, muito atencioso. E ao invés da pilha de exames preventivos, farei apenas 1 de 30min. É o mais chato mais o menos incômodo. Aquele colírio anestésico pra medir pressão do olho deve ter um efeito alucinógino, ou algo parecido. Único inconveniente foi o enjôo de sair por aí com as pupilas dilatas e sem conseguir focar. Especialmente a visão de perto.
Fui no shoping, procurar algo pra ele. Em verdade, eu queria ter ido numa lojinha aqui perto de casa que costuma ser mais em conta, e com peças de boa qualidade (a proósito, eles estão com blusas/casacos/camisolas da Hello Kitty oficiais..ai ai), mas a loja tá mudando os "lugares-onde-poe-roupa". Qual é o nome disso?
Aí nas lojas de departamento (C&A, Marisa, Riachuelo) era terrível olhar as etiquetas de preço. Eu esticava o braço lá longe pra ver. Imagino que o pessoal deva ter rido bastante ao ver essa cena.
Demorei um tempão lá e não pensei em comprar nada pra mim. (É , responsabilidade muda as pessoas.)
A cópia do livro (que espero ter saído do jeito que ele queria) foi embrulhada na roupa,e deu pra disfarçar bem. Não sei se é crime mandar cópia de livro. E como o preço até 1kg é o mesmo, melhor completar os 350g do livro com outras coisas pra aproveitar o envio. Pena que eu não consegui escrever uma carta ontem, depois de tudo o que postei no blog. E eu tava com pressa de mandar hoje pra ver se chega antes do feriado, pra ele estudar. E eu nem via as linhas do papel hoje de manhã =p.
E nesse meio tempo eu vi que na pressa, calcei o tênis errado, que é um número menor que o meu. E ainda estava com palmilha. Meu pé está em frangalhos, meus mindinhos estavam roxos e cortei a unha antes pra não encravar. Amanhã, vou voltar a sandália, que eu estava usando desde que ele veio aqui por causa do machucado que a ausência de meia fez no meu calcanhar. E ainda não sarou completamente, acredita?
Fiquei a tarde toda lá e o meu pecado foi comer a torta de chocolate divina que compraram pro aniversário de uma aluna. A torta valeu a pena. Só não sei se deveria ter comido um outro pedaço >< mas não estou com dor na consciência, tinha passado a manha mal e enjoada então. Bem, o que tá feito, tá feito.
Então, por essas e outras me sinto menos miserável que ontem. Um pouco por causa do cansaço também. E porque não há muito o que eu possa fazer agora, então não vou sofrer por antecipação.
Mas acordei com mais carinho, mais saudade. Só hoje que eu lembrei que essa bagunça toda pode estar associada também aos remédios que eu ando tomando e aos hormônios.
Eu achava que não tava dando muita diferença (quando não se tem um padrão fica difícil comparar alguma coisa), mas em relação ao problema dos pelos a coisa melhorou uns 50%. Ontem eu tive a depilação mais tranquila da minha vida, nem doeu, e comparado com o que eu já passei então, nossa. Uma pena que resolveram aumentar os preços e eu fui pega de supresa. A conta saiu cara. E assim lá se vão os meus planos vaidosos de fazer limpeza de pele, drenagem linfática, modelagem etc. Ble, eu nuunca ia ter coragem de gastar tanto dinheiro assim. Ao menos na situação atual. Uma pena que eu não vi a moça que fez lipoaspiração, tava curiosa. Vi num dos blogs lights que eu ando lendo pra não perder demais a motivação, de uma moça que levou 3 anos e perdeu 43kgs, e fez lipo, abdominoplastia e mamoplastia. Ficou linda, especialmente coma produção da revista que foi fazer matéria dela. No site tem os preços das plásticas. Em SP R$ 4k cada uma a vista. Mas o lugar divide em 24x+entrada =D Qualquer hora tem o consórcio plástica =p
Mas eu desviei demais..
Passei o dia todo mais carinhosa, com mais saudade e pensando muito muito nele. Ao acordar de manhã, quando vi o jornal, quando fui ao shoping, na faculdade... Até o texto desse blog é escrito como se eu pudesse estar agora conversando com ele.
Ah sim. Uma coisa bastante interessante: embora todo esse turbilhão de coisas tenha acontecido, meu lado sexual parece que não foi avisado de nada. Pra ele nada nunca mudou e nada fez diferença nenhuma, e ponto. Talvez se eu me guiasse por ele fosse mais fácil? =p Até mesmo hoje quando eu estou me arrastando pelas paredes e lutando pra me manter consciênte eu sinto vontade. Pena que isso sempre termina comigo cochilando no meio do ato, e acordando com uma vontade maior dia seguinte..assim até eu achar um tempo em algum dia que eu não esteja cansada =p Aí nesse dia, eu me acabo =p
Hm. Me sinto mais feliz pq ele aparenta estar mais feliz.
Vai saber..
Ps: vou dormir e não sei se consigo voltar a tempo de te mandar um beijo online. Deixei recado e email :***
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Can I have this love forever - porque nós é tudo o que importa
Quando eu era criança, épocas de pré-escola, eu nunca sabia quando era o inverno, porque eu não entendia o clima daqui.
Embora seja primavera, chove todos os dias, e um dia que ocasionalmente não chove, em sua maior parte fica nublado e feio, com temperaturas baixas.
Então o inverno pra mim era quando o tempo ficava triste, o céu nublado e feio chorava em plena primavera. Mal sabia eu que estávmos perto do verão.
Nessas época sempre era ruim ir pra escola, com qualquer idade, porque os carros nunca respeitam os pedestes quando chove. Acho que não respeitam quando faz sol também, mas ao menos você não corre o risco de chegar ensopada. E o pior, com o tênis e a meia todo molhados fazendo 'squish squish' por onde você passa. E depois da quarta série usar galochas era mico demais.
O tempo passou e eu continuo não gostando dessa época e desse clima. Essa primavera falsa, que deixa as pessoas mais tristes,e não parecem nem um pouco com a primavera dos filmes que a gente vê na televisão. O natal e o ano novo ainda estão muito distantes e o espírito das festas não contagiou ninguém. Não sei, também acho que essa época só as crianças são felizes assim, e as únicas com férias de 3 meses..
Pra variar choveu hoje. Continuam ocorrendo atritos ocasionais aqui em casa. Eu acho que é tudo fruto do mal humor das pessoas. Mas é uma pena, porque aumenta a vontade de ir morar sozinha. Além de ser uma grande bobagem, seria um grande desperdício de dinheiro.
Pelo menos durante a aula de japonês, as coisas são melhores.. eu fico conversando até dar 22h ou mais e venho pra casa. Em relação ao idioma, estou fazendo alguns progressos, que poderiam ser maiores eu sei. Mas pro nível de dedicação que eu tenho está bom. Assim que eu achar um programa que me ajude a estudar (que eu pretendo procurar nesse fds ou no próximo feriado) certeza que o progresso vai ser mais efetivo. Parece que vai ter uma noite de yakisoba e karaoke na escola..seria bom, é legal conversar trivialidades com o pessoal de lá. Acho que tirando eles e o pessoal do laboratório, acabou meu convívio social.
Tem uma festa com fantasia obrigatória na casa de uma colega. Mas a fantasia é orbigatória, e eu não estou nem um pouco no clima pra isso. O apartamento dela, no centro da cidade, é beem longe da minha casa e ruim de estacionar por perto, e não dá pra voltar tarde porque a eleição é no dia seguinte e eu gosto de votar cedo e ficar livre. O horário da festa é meio ruim, começa 18/19hs, mas certeza que o pessoal só chegaria as 20/21. É estilo americana e ela não separou o que cada um vai levar, então esse tipo de festa tem muita bebida e nada de comida, mas pra mim isso não faz diferença. Eu iria lá pra quê? Apenas pra encontrar 2 ou 3 pessoinhas legais e só. Porque tem muitos móveis na casa dela e mal tem espaço pras pessoas sentarem. Então é só comer, beber e conversar. No máximo ver tv ou jogar videogame, que pra mim, não é algo interessante. E as pessoas são bem diferentes, fica chato de conversar, com o tempo fica entediante conversar com gente que não tem os mesmos interesses.
Resumindo: não tou nem a fim de ir...
É estranho mas o espaço, o enorme vazio que eu via quando olhava pra dentro de mim vem sumindo. E eu espero que continue assim. Claro que não é a mesma coisa de antes, mas acho que mesmo com toda essa tristeza, tudo pode ficar melhor do que estava antes. Mais calmo e mais sereno pode ser melhor.
E algumas coisas continuam como antes: eu costumo falar do 'meu namorado' o tempo inteiro, sem nem perceber. Só é esquisito quando eu falo algo que não faz sentido pras pessoas normais, aí eu tenho que explicar boa parte da história. E as pessoas ficam com pena. E eu lembro como é ruim e tenho que morder a língua pra não chorar.
Antigamente eu só precisava dar uma apertadinha com os dentes na língua, um beliscãozinho. Hoje isso não funciona mais, eu mordo bem no meio, com bastante força, porque quase nunca é bom ou normal chorar na frente das pessoas.
E tem motivos que tornam impossível chorar em qualquer lugar, pela intensidade. Como quando eu lembro que sempre que nos encontramos nunca é por tempo suficiente, e sempre existe a partida. Uma dor tão intensa e profunda que eu chego a achar que um pedaço do meu peito foi arrancado sem anestesia. E, diferentemente do resto, não passa. Eu choro, choro, choro e essa dor não vai embora. E eu não consigo mais controlar o meu corpo entre chorar, respirar, gritar e não consigo fazer nada pra dor passar, como se eu estivesse sendo comida viva. A saudade só vai quando ele vem, e quando ele vai ela sempre volta de novo.
Agora eu tenho uma dor maior, por todas as conseqüências que esse problema causou, por tudo de ruim que eu acabei fazendo pra ele, pelo fato de ter abalado o relacionamento, por ele ter perdido a confiança em mim. E o que me dá mais revolta, que fortalece essa sensação ruim que eu tenho e me faz quase sufocar, é que tudo podia ter sido diferente se eu soubesse.
É claro que amor não some, não desaparece, no máximo se transforma. Eu fui muito burra e ingênua, e me expressei muito mal por não entender direito, foi muito doloroso pra mim (imensamente mais pra ele) dizer da forma que eu disse, mas eu não sabia. Se soubesse teria evitado isso tudo, ou feito de outra forma, mas como eu ia saber. Acho extremamente injusto isso, mas não teve jeito.
Estou bem ao perceber que eu não o amo menos, e sim o que mudou foi a forma, amadureceu um pouco, mas isso não é ruim, e eu vejo que continuo sofrendo por amor e saudade do mesmo jeito, que continuo sabendo muito bem o que eu gosto nele, e ainda lembro perfeitamente porque eu comecei a gostar dele e tudo nele que me encanta.
Mas estou preocupada com as conseqüências. Com tudo o que vai acontecer com ele. Com o fato de que eu posso tentar ao máximo fazer ele acreditar em mim, conquistar o amor e a confiança que ele tinha antes e talvez não conseguir.
É horrível ele pensar que eu não o amo, ou que amo pouco, ou não o amo o suficiente, quando não há nada que eu não faria por ele ou pra ele. Eu colocaria fogo no meu próprio corpo se isso pudesse protegê-lo de alguma forma, eu venderia minha alma ao diabo, passaria a eternidade no inferno
Eu tenho muito medo de que o sentimento dele por mim tenha diminuído, e que talvez isso possa ser irrecuperável. E eu não quero nem pensar nisso. Porque mesmo que eu tente me enganar dizendo que sem ele tudo pode ficar bem, eu sei que isso é uma mentira, uma ilusão que o meu cérebro cria pra proteger o meu coração. A verdade é que eu o amo demais pra conseguir suportar qualquer coisa sem ele, e porque viver não faz mais sentido sem ele. Eu prefiro enfrentar toda a eternidade num inferno de suicídas do que ficar sem ele. E eu tenho muito medo quando percebo isso. Por estar tão ligada a ele e ser tão dependente dele sem poder fazer nada, sem ter proteção nenhuma, por ser tão vulnerável. Porque eu tenho medo de que um dia ele vá embora, seja porque motivo for, e eu fique sozinha com toda a dor e a tristeza, pois não vou ter ânimo pra mais nada e nada mais vai ter a mesma graça.
E eu tenho mais medo ainda de eu ser o motivo que o afaste de mim. E é tanta coisa que pode fazer dar tudo errado. Eu posso nunca satisfazê-lo sexualmente, emocionalmente ou intelectualmente. Eu posso ter defeitos que se tornem insuportáveis. Eu tenho medo de ofendê-lo, machucá-lo, magoá-lo mesmo sem querer, porque eu sua uma pessoa muito imperfeita, muito mesquinha e egoísta. Eu sei que mesmo que eu perca todo o peso e fique magra eu nunca vou ser tão bonita quanto o monte de outras mulheres que existem por aí, justamente eu, que estou tão distante dos tipos preferidos dele. Eu tenho medo que mesmo que eu fique magra, ainda não seja suficiente. Eu tenho medo que ele se canse de lidar com uma pessoa com tantas necessidades emocionais. Eu tenho medo que ele perca o interesse e fique entediado e irritado com uma pessoa que é tão diferente dele. Eu tenho medo que ele se canse de tudo por ser difícil de entender.. Eu tenho medo que eu nunca seja perfeita, que tudo nunca seja bom o suficiente e eu não consiga evitar que dê errado.
Por isso que eu as vezes me martirizo tanto tentando me encaixar em tudo, tentando deixar tudo perfeito ou bom. E mesmo que eu chegue a pensar se todo o sofrimento vale a pena, eu não tenho escolha. E é com muita felicidade que eu digo que não tenho escolha, que eu mesmo sendo tão imperfeita sou capaz de ter sentimentos de tanta intensidade, sou capaz de amá-lo com tanta força. Com o meu coração e todo o meu ser eu o amo mais do que qualquer coisa que possa existir, mais do que a própria vida, mais que o universo. E as vezes meu cérebro é idiota, bobo e ingênuo por não admitir que a única alternativa que eu tenho, a única alternativa que me faz feliz, é amá-lo e estar com ele.
Por isso é sempre tão sofrível quando acontece algum problema. Esses pensamentos ficam se repetindo na minha cabeça, e eu quase morro de sofrimento por vislumbrar que isso pode chegar a um fim. E como me dói imaginar tal coisa, que dirá ver um caminho pra isso acontecer..
Mas ,infelizmente e me dói muito perceber isso, dessa vez a coisa teve que chegar onde chegou pra eu perceber que tinha algo errado, pra saber que eu precisava fazer alguma coisa. Existem coisas que colocam o relacionamento em risco e que precisam ser superadas.
E se ele não tivesse me dito eu nunca iria perceber, eu nunca iria entender profundamente -como entendo agora- que 'nós' é mais importante que 'eu' ou 'ele'. E isso faz toda a diferença.
Então eu não vou mais deixar de falar dos meus problemas com medo de chateá-lo, não vou mais responder 'estou bem' por educação, não vou deixar de fazer cobranças quanto as necessidades de carinho e afeto que eu tenho, não vou deixar de reclamar sobre tudo o que eu acho que não está certo por mais chato que isso seja,e não vou fingir que eu sou forte como ele - pois é algo que eu não sou. Porque, ao mesmo tempo que essas pequenas coisas podem pôr em risco o relacionamento, agir de outra forma pode por tudo a perder. Então, eu sou obrigada a correr o risco.
É por isso que eu tenho medo. De ter algo tão precioso, tão intenso e tão verdadeiro como esse sentimento, e ser tão inexperiente, tão ingenua pra pôr tudo em risco. É tão revoltante a minha incapacidade, porque o que eu tenho a perder é muito, é tudo o que importa pra mim.
Estou preocupada. Muito preocupada. Com ele, com o que ele está sentindo, com o que ele está sofrendo. Como as coisas vão acontecer. E não quero nem pensar que eu sou a causa disso tudo pra não ter vontade de pular da ponte.
Queria passar uma grande borracha nisso tudo, e passar férias com ele. Porque quando estamos juntos, há uma certeza maior. Maior que eu, maior que ele, maior que isso tudo e qualquer outra coisa. Porque quando a minha alma está perto da dele o meu coração fica em paz, e só assim eu consigo ter forças pra ser uma pessoa melhor.
Passar um bom tempo juntos seria ótimo pra nós e pro nosso relacionamento, iria fechar a cicatriz. Duas semanas, um mês juntos. Sem trabalho, faculdade ou nada pra atrapalhar.
Mas, por enquanto, eu fico só com a vontade.
Quando eu era criança, épocas de pré-escola, eu nunca sabia quando era o inverno, porque eu não entendia o clima daqui.
Embora seja primavera, chove todos os dias, e um dia que ocasionalmente não chove, em sua maior parte fica nublado e feio, com temperaturas baixas.
Então o inverno pra mim era quando o tempo ficava triste, o céu nublado e feio chorava em plena primavera. Mal sabia eu que estávmos perto do verão.
Nessas época sempre era ruim ir pra escola, com qualquer idade, porque os carros nunca respeitam os pedestes quando chove. Acho que não respeitam quando faz sol também, mas ao menos você não corre o risco de chegar ensopada. E o pior, com o tênis e a meia todo molhados fazendo 'squish squish' por onde você passa. E depois da quarta série usar galochas era mico demais.
O tempo passou e eu continuo não gostando dessa época e desse clima. Essa primavera falsa, que deixa as pessoas mais tristes,e não parecem nem um pouco com a primavera dos filmes que a gente vê na televisão. O natal e o ano novo ainda estão muito distantes e o espírito das festas não contagiou ninguém. Não sei, também acho que essa época só as crianças são felizes assim, e as únicas com férias de 3 meses..
Pra variar choveu hoje. Continuam ocorrendo atritos ocasionais aqui em casa. Eu acho que é tudo fruto do mal humor das pessoas. Mas é uma pena, porque aumenta a vontade de ir morar sozinha. Além de ser uma grande bobagem, seria um grande desperdício de dinheiro.
Pelo menos durante a aula de japonês, as coisas são melhores.. eu fico conversando até dar 22h ou mais e venho pra casa. Em relação ao idioma, estou fazendo alguns progressos, que poderiam ser maiores eu sei. Mas pro nível de dedicação que eu tenho está bom. Assim que eu achar um programa que me ajude a estudar (que eu pretendo procurar nesse fds ou no próximo feriado) certeza que o progresso vai ser mais efetivo. Parece que vai ter uma noite de yakisoba e karaoke na escola..seria bom, é legal conversar trivialidades com o pessoal de lá. Acho que tirando eles e o pessoal do laboratório, acabou meu convívio social.
Tem uma festa com fantasia obrigatória na casa de uma colega. Mas a fantasia é orbigatória, e eu não estou nem um pouco no clima pra isso. O apartamento dela, no centro da cidade, é beem longe da minha casa e ruim de estacionar por perto, e não dá pra voltar tarde porque a eleição é no dia seguinte e eu gosto de votar cedo e ficar livre. O horário da festa é meio ruim, começa 18/19hs, mas certeza que o pessoal só chegaria as 20/21. É estilo americana e ela não separou o que cada um vai levar, então esse tipo de festa tem muita bebida e nada de comida, mas pra mim isso não faz diferença. Eu iria lá pra quê? Apenas pra encontrar 2 ou 3 pessoinhas legais e só. Porque tem muitos móveis na casa dela e mal tem espaço pras pessoas sentarem. Então é só comer, beber e conversar. No máximo ver tv ou jogar videogame, que pra mim, não é algo interessante. E as pessoas são bem diferentes, fica chato de conversar, com o tempo fica entediante conversar com gente que não tem os mesmos interesses.
Resumindo: não tou nem a fim de ir...
É estranho mas o espaço, o enorme vazio que eu via quando olhava pra dentro de mim vem sumindo. E eu espero que continue assim. Claro que não é a mesma coisa de antes, mas acho que mesmo com toda essa tristeza, tudo pode ficar melhor do que estava antes. Mais calmo e mais sereno pode ser melhor.
E algumas coisas continuam como antes: eu costumo falar do 'meu namorado' o tempo inteiro, sem nem perceber. Só é esquisito quando eu falo algo que não faz sentido pras pessoas normais, aí eu tenho que explicar boa parte da história. E as pessoas ficam com pena. E eu lembro como é ruim e tenho que morder a língua pra não chorar.
Antigamente eu só precisava dar uma apertadinha com os dentes na língua, um beliscãozinho. Hoje isso não funciona mais, eu mordo bem no meio, com bastante força, porque quase nunca é bom ou normal chorar na frente das pessoas.
E tem motivos que tornam impossível chorar em qualquer lugar, pela intensidade. Como quando eu lembro que sempre que nos encontramos nunca é por tempo suficiente, e sempre existe a partida. Uma dor tão intensa e profunda que eu chego a achar que um pedaço do meu peito foi arrancado sem anestesia. E, diferentemente do resto, não passa. Eu choro, choro, choro e essa dor não vai embora. E eu não consigo mais controlar o meu corpo entre chorar, respirar, gritar e não consigo fazer nada pra dor passar, como se eu estivesse sendo comida viva. A saudade só vai quando ele vem, e quando ele vai ela sempre volta de novo.
Agora eu tenho uma dor maior, por todas as conseqüências que esse problema causou, por tudo de ruim que eu acabei fazendo pra ele, pelo fato de ter abalado o relacionamento, por ele ter perdido a confiança em mim. E o que me dá mais revolta, que fortalece essa sensação ruim que eu tenho e me faz quase sufocar, é que tudo podia ter sido diferente se eu soubesse.
É claro que amor não some, não desaparece, no máximo se transforma. Eu fui muito burra e ingênua, e me expressei muito mal por não entender direito, foi muito doloroso pra mim (imensamente mais pra ele) dizer da forma que eu disse, mas eu não sabia. Se soubesse teria evitado isso tudo, ou feito de outra forma, mas como eu ia saber. Acho extremamente injusto isso, mas não teve jeito.
Estou bem ao perceber que eu não o amo menos, e sim o que mudou foi a forma, amadureceu um pouco, mas isso não é ruim, e eu vejo que continuo sofrendo por amor e saudade do mesmo jeito, que continuo sabendo muito bem o que eu gosto nele, e ainda lembro perfeitamente porque eu comecei a gostar dele e tudo nele que me encanta.
Mas estou preocupada com as conseqüências. Com tudo o que vai acontecer com ele. Com o fato de que eu posso tentar ao máximo fazer ele acreditar em mim, conquistar o amor e a confiança que ele tinha antes e talvez não conseguir.
É horrível ele pensar que eu não o amo, ou que amo pouco, ou não o amo o suficiente, quando não há nada que eu não faria por ele ou pra ele. Eu colocaria fogo no meu próprio corpo se isso pudesse protegê-lo de alguma forma, eu venderia minha alma ao diabo, passaria a eternidade no inferno
Eu tenho muito medo de que o sentimento dele por mim tenha diminuído, e que talvez isso possa ser irrecuperável. E eu não quero nem pensar nisso. Porque mesmo que eu tente me enganar dizendo que sem ele tudo pode ficar bem, eu sei que isso é uma mentira, uma ilusão que o meu cérebro cria pra proteger o meu coração. A verdade é que eu o amo demais pra conseguir suportar qualquer coisa sem ele, e porque viver não faz mais sentido sem ele. Eu prefiro enfrentar toda a eternidade num inferno de suicídas do que ficar sem ele. E eu tenho muito medo quando percebo isso. Por estar tão ligada a ele e ser tão dependente dele sem poder fazer nada, sem ter proteção nenhuma, por ser tão vulnerável. Porque eu tenho medo de que um dia ele vá embora, seja porque motivo for, e eu fique sozinha com toda a dor e a tristeza, pois não vou ter ânimo pra mais nada e nada mais vai ter a mesma graça.
E eu tenho mais medo ainda de eu ser o motivo que o afaste de mim. E é tanta coisa que pode fazer dar tudo errado. Eu posso nunca satisfazê-lo sexualmente, emocionalmente ou intelectualmente. Eu posso ter defeitos que se tornem insuportáveis. Eu tenho medo de ofendê-lo, machucá-lo, magoá-lo mesmo sem querer, porque eu sua uma pessoa muito imperfeita, muito mesquinha e egoísta. Eu sei que mesmo que eu perca todo o peso e fique magra eu nunca vou ser tão bonita quanto o monte de outras mulheres que existem por aí, justamente eu, que estou tão distante dos tipos preferidos dele. Eu tenho medo que mesmo que eu fique magra, ainda não seja suficiente. Eu tenho medo que ele se canse de lidar com uma pessoa com tantas necessidades emocionais. Eu tenho medo que ele perca o interesse e fique entediado e irritado com uma pessoa que é tão diferente dele. Eu tenho medo que ele se canse de tudo por ser difícil de entender.. Eu tenho medo que eu nunca seja perfeita, que tudo nunca seja bom o suficiente e eu não consiga evitar que dê errado.
Por isso que eu as vezes me martirizo tanto tentando me encaixar em tudo, tentando deixar tudo perfeito ou bom. E mesmo que eu chegue a pensar se todo o sofrimento vale a pena, eu não tenho escolha. E é com muita felicidade que eu digo que não tenho escolha, que eu mesmo sendo tão imperfeita sou capaz de ter sentimentos de tanta intensidade, sou capaz de amá-lo com tanta força. Com o meu coração e todo o meu ser eu o amo mais do que qualquer coisa que possa existir, mais do que a própria vida, mais que o universo. E as vezes meu cérebro é idiota, bobo e ingênuo por não admitir que a única alternativa que eu tenho, a única alternativa que me faz feliz, é amá-lo e estar com ele.
Por isso é sempre tão sofrível quando acontece algum problema. Esses pensamentos ficam se repetindo na minha cabeça, e eu quase morro de sofrimento por vislumbrar que isso pode chegar a um fim. E como me dói imaginar tal coisa, que dirá ver um caminho pra isso acontecer..
Mas ,infelizmente e me dói muito perceber isso, dessa vez a coisa teve que chegar onde chegou pra eu perceber que tinha algo errado, pra saber que eu precisava fazer alguma coisa. Existem coisas que colocam o relacionamento em risco e que precisam ser superadas.
E se ele não tivesse me dito eu nunca iria perceber, eu nunca iria entender profundamente -como entendo agora- que 'nós' é mais importante que 'eu' ou 'ele'. E isso faz toda a diferença.
Então eu não vou mais deixar de falar dos meus problemas com medo de chateá-lo, não vou mais responder 'estou bem' por educação, não vou deixar de fazer cobranças quanto as necessidades de carinho e afeto que eu tenho, não vou deixar de reclamar sobre tudo o que eu acho que não está certo por mais chato que isso seja,e não vou fingir que eu sou forte como ele - pois é algo que eu não sou. Porque, ao mesmo tempo que essas pequenas coisas podem pôr em risco o relacionamento, agir de outra forma pode por tudo a perder. Então, eu sou obrigada a correr o risco.
É por isso que eu tenho medo. De ter algo tão precioso, tão intenso e tão verdadeiro como esse sentimento, e ser tão inexperiente, tão ingenua pra pôr tudo em risco. É tão revoltante a minha incapacidade, porque o que eu tenho a perder é muito, é tudo o que importa pra mim.
Estou preocupada. Muito preocupada. Com ele, com o que ele está sentindo, com o que ele está sofrendo. Como as coisas vão acontecer. E não quero nem pensar que eu sou a causa disso tudo pra não ter vontade de pular da ponte.
Queria passar uma grande borracha nisso tudo, e passar férias com ele. Porque quando estamos juntos, há uma certeza maior. Maior que eu, maior que ele, maior que isso tudo e qualquer outra coisa. Porque quando a minha alma está perto da dele o meu coração fica em paz, e só assim eu consigo ter forças pra ser uma pessoa melhor.
Passar um bom tempo juntos seria ótimo pra nós e pro nosso relacionamento, iria fechar a cicatriz. Duas semanas, um mês juntos. Sem trabalho, faculdade ou nada pra atrapalhar.
Mas, por enquanto, eu fico só com a vontade.
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
Bem, há muito tempo eu venho pensando em escrever, em pôr um pouco de ordem em alguma coisa, se for possível.
Mas incrível como eu consigo estar sempre cansada mesmo fazendo nada.
A primeira coisa que é importante que eu escreva, e lembre: foi muito melhor, esta sendo muito mais fácil depois de ter tirado esse peso dos ombros.
É engraçado. O jeito que ele fala sobre sentimentos, e parece até que eu sou phd nisso. Não sei como eu consegui esquecer como isso costuma ser tão complicado.
Eu sempre achei que o mais complicado que eu fosse lidar fossem situações do tipo amor-não-correspondido, as incertezas padrões femininas (eu gosto dele de verdade? ou só porque ele me trata bem?), ou ia gostar mais de alguém e a coisa fosse terminar em divórcio e/ou traição como acontece com a maioria das pessoas hoje em dia.
Eu nunca achei que um relacionamento fosse ficar mais complicado que isso.
Todo mundo sempre diz, o amor não se mantém sozinho e você tem que cultivá-lo, e eu fiz. Que você tem de se fazer presente mesmo distante, e eu fiz. Que você precisa ter forças pra superar os obstáculos em favor de um futuro comum e feliz, e eu continuei acreditando.
Então porquê isso foi acontecer comigo?
Não é chorar o leite derramado, mas sim ver onde, o que foi que eu fiz de errado ou o que eu não fiz e poderia ter feito pra evitar isso tudo. E é difícil encontrar respostas. E mais ainda encontrar certezas.
É sofrimento demais, pra mim, pra ele e eu sinto que nenhum de nós ganha nada com isso.
E eu já andava tão cansada da dinâmica de sempre..eu 'encontro' algo errado, falamos, eu fico triste, ele fica triste e preocupado, ele resolve, eu fico culpada, ele fica cansado. Entretanto, as coisas sempre continuam melhores que antes.
Eu não sei como ele consegue ser tão estático, como pra ele sempre está tudo bem, até que se prove o contrário. Engraçado como ele é tão otimista nisso =p E eu, tão cheia de dedos, tão cheia de cuidados. Acho que por me importar eu faço mais besteira do que se eu deixasse pra lá. Mas bem, eu já fui sacaneada, porque nessas horas, a despeito do que eu ouço, não tem como não pensar diferente. É muita responsabilidade um relacionamento tão importante pra alguém tão inexperiente. A probabilidade de estragar a coisa é muito maior, mesmo que eu não queira. E sempre, sempre, no melhor e no pior, eu sempre tive a certeza de que é agora ou não será mais, ou é ele ou nenhuma outra pessoa. Porque ninguém jamais vai conseguir me fazer feliz como ele me faz, e ninguém vai conseguir ser tão amável quanto ele. Hm.. no português amável não é a mesma coisa que lovable.. Ele tem características únicas que me fazem amá-lo. =>
E é por isso mesmo que eu me pergunto 'como'. E pensando nisso há tempo suficiente eu tenho um quase sem-número de pensamentos..
Eu li em algum lugar que 'é apropriado esperar amor, atenção e apoio do cônjuge. No entanto, até mesmo esse desejo pode não ser satisfeito.' Se uma pessoa casada, que convive consegue sentir carência, eu tenho todo o direito do mundo. Embora essa minha necessidade supere até a minha paciência para comigo mesma. E a distância torna tudo pior.
Mesmo que eu não sinta falta dele propriamente dito, eu me pego sentindo falta de um milhão de outras coisas de um relacionamento normal, mesmo não tendo tido um. De encontrar no final de semana, sexta depois da aula especialmente, pra um cinema, um jantar ou mesmo só pra ficar junto. De namorar, de estar junto sem intenção nenhuma, sem querer fazer nada. De surpresas, de agrados e tudo o que poderia ser.
E pelo fato dele não sentir essa necessidade, ele não pode corresponder a altura. Todas as vezes em que conversamos ele sempre me dizia que poderia tentar mudar, mas que seria algo falso, irreal, não viria dele próprio. E eu sempre desistia, porque eu queria que fosse algo que partisse dele. E acabei deixando pra lá, deixando de lado minhas próprias necessidades no relacionamento. O que eu ia fazer? Dar um ultimato? Eu achei que tinha sido bem clara quando eu disse que precisava sentí-lo presente ou meu amor iria diminuir.
Mas há muito mais coisas envolvidas nisso. Como a felicidade dele. Eu nem consigo mais lembrar quantas vezes eu falei que pra ele 'nada nunca estava bom'. Eu sei que ele tem muitos motivos pra reclamar e pra se sentir mal. Bem, uma coisa são os corvos sobrevoarem a sua cabeça, a outra é permitir que eles façam ninhos. Ele era mais feliz antes, e hoje não é. Seja porque a situação mudou, seja porque ele estava omitindo coisas. Não sei, eu acho que eu sempre fui bem sincera desde o começo, não achou que eu mudei dessa forma. E ele não sabe que 'se vc está feliz eu fico feliz, se vc está triste eu fico triste', ou não entende como funciona. DE sempre vê-lo ruim eu me sinto miserável, especialmente por não poder ajudar em mais nada. Ou porque as minhas tentativas de mostrar meu amor de diversas formas não surtem efeito, não o deixam mais feliz assim.
As coisas são assim faz tempo, mas desde que ele passou no vestibular, que eu me sinto na obrigação de não cobrar, não comentar. Pra não tornar a situação pior, pra não tornar as coisas mais difíceis pra ele, e especialmente, pra ver se ele consegue ficar mais feliz, ao menos um pouco.
Por causa disso, eu coloquei em segundo plano todas as minhas necessidades, todos os meus problemas, a carência, a solidão, a depressão. E enfrentei isso sozinha pra provar que eu também era forte, mas que sem esperança as coisas ficam muito mais difíceis.
E acabei, as vezes, perdendo a esperança, perdendo as forças. Perguntando a mim mesma se isso valia a pena, porque eu sentia que estava dando mais do que recebendo. Ou sentindo que eu não estava recebendo nada. (Quantas vezes eu cansei de insistir pra ele me escrever, ocasionalmente, um pouquinho que seja porque eu sinto falta de ouví-lo, de lê-lo e sinto falta ate da caligrafia que ele não gosta). Eu acabei não me sentindo mais especial, não mais a pessoa mais importante do mundo pra ele. Por relevar coisas demais, ao ponto de ir ficando irritada e chateada com pequenos detalhes. Até o ponto que a coisa estourou.
De tudo isso restaram apenas alguns posts de reclamações e desabafos não publicados no blog.
Porque eu acreditei sinceramente, que ele tivesse a capacidade de perceber quando tem alguma coisa errada. Que ele tivesse a força pra insistir, perguntar, e forçar de alguma forma a melhora da situação.
Mas como ele iria perceber, se pra ele, sempre está tudo bem?
E pelo fato de não me sentir especial, ele também passou a não ser tão especial. Claro que continuaria com todas as maravilhosas características deles. Mas os defeitos estavam prevalecendo e sendo irritantes. E eu estava até sem saber o que fazer.
Até o dia do aniversário. Que ele esqueceu e eu não consigo mais. Que ele tão pressionado emocionalmente por ele mesmo, reagiu de uma forma que me deixou sem ação. E sem ação, sem razão e sem motivo eu não pude chorar, ficar magoada e depois começar o processo de cura. Eu tive que enfiar goela abaixo, como um remédio amargo, e deixar pra lá, fingir que nunca tinha acontecido nada. Eu considerei hipnose..
Eu me tornei fria, mais amarga e realista. Se isso, que estava na lista de coisas que nunca iriam acontecer comigo, quer dizer que todas as outras também podem. É uma probabilidade, porque ninguem manda nos próprios sentimentos e não se sabe o que vai acontecer daqui anos.
E o pior é que a emenda saiu pior que o soneto. Tentando não prejudicá-lo ainda mais, a minha atitude pareceu indiferença. E ele nunca reclamou de nada, ainda não sei porque. Eu devo realmente parecer ser muto brava e arredia pra ele não insistir e ,se for o caso, discutir isso.
E se for pra não se sentir amada, que é o que conta, e pra correr o risco de um dia não ser amada, seja por aparência (como sempre esteve bem claro), por questões sexuais, emocionais ou mais alguma que eu não possa imaginar, é melhor eu não amar porque assim eu sofro menos.
Olhando assim até tem lógica.
Mas, como ele me abriu os olhos pra isso, também podia ser que fui amando menos pra diminuir o sofrimento. Porque esse relacionamento é doloroso e penoso demais as vezes. Então talvez até fosse bom diminuir de atroepelada-por-rolo-compressor para alguma coisa mais suave e delicada.
Não significa que o processo seja menos doloroso. Não significa que eu saiba exatamente o que e porque está acontecendo. Não significa que eu ache bom dizer 'eu não te amo como antigamente' ou 'eu te amo menos'. Não signifique que eu não tenha idéia de como é ouvir isso e se sentir culpado, ao mesmo tempo que eu digo e me sinto culpada.
Acho que isso do vestibular e mudança acentuou as questões que já existiam. E não é o fato dele não ter vindo morar aqui, porque eu sempre tive muito mais confiança nele do que ele mesmo, e com certeza, eu estranharia se ele não passasse agora.
é bom que ele tenha se sentimentalizado mais com essas mudanças na vida todas, talvez fique mais claro pra ele como as coisas não são simples e fáceis de se entender, ou de se obter uma resposta clara.
Mas, em contrapartida, depois de termos conversado (o que parece que foi a meses atrás e não nesse fds) as coisas parecem pouco diferentes e melhores. Não no fato dele estar mais animado, mais perceptivo ou mais correspondente ao que eu preciso.
Apesar de tudo, eu continuo tendo a certeza de gostar dele daquele jeito especial, embora as vezes eu fique tao magoada de não querer dizer 'te amo'.
Apesar de tudo, eu ainda planejo um futuro juntos e estou disposta a compartilhar a vida com ele. A esperar esses 4 anos.
Estou mais aliviada, ao ter exposto a situação, e tenho a confiança de que isso também vai passar. Porque nós queremos resolver isso. E como ele disse, o nós é e tem que ser mais importante que ele ou eu.
Pode ser que o amor não tenha diminuido, apesar da sensação de vazio. Pode ser apenas um alerta para o que está acontecendo.
Pode ser uma auto-proteção. Pode ser que a paixão tenha passado e ficado só o amor e eu não saiba. Pode ser que o sentimento tenha evoluído pra algo mais calmo e tranquilo, mais sereno, e portanto menos intenso e violento.
Pode ser bom. Pode ser ruim.
Mas por enquanto, eu ainda não sei.
Mas incrível como eu consigo estar sempre cansada mesmo fazendo nada.
A primeira coisa que é importante que eu escreva, e lembre: foi muito melhor, esta sendo muito mais fácil depois de ter tirado esse peso dos ombros.
É engraçado. O jeito que ele fala sobre sentimentos, e parece até que eu sou phd nisso. Não sei como eu consegui esquecer como isso costuma ser tão complicado.
Eu sempre achei que o mais complicado que eu fosse lidar fossem situações do tipo amor-não-correspondido, as incertezas padrões femininas (eu gosto dele de verdade? ou só porque ele me trata bem?), ou ia gostar mais de alguém e a coisa fosse terminar em divórcio e/ou traição como acontece com a maioria das pessoas hoje em dia.
Eu nunca achei que um relacionamento fosse ficar mais complicado que isso.
Todo mundo sempre diz, o amor não se mantém sozinho e você tem que cultivá-lo, e eu fiz. Que você tem de se fazer presente mesmo distante, e eu fiz. Que você precisa ter forças pra superar os obstáculos em favor de um futuro comum e feliz, e eu continuei acreditando.
Então porquê isso foi acontecer comigo?
Não é chorar o leite derramado, mas sim ver onde, o que foi que eu fiz de errado ou o que eu não fiz e poderia ter feito pra evitar isso tudo. E é difícil encontrar respostas. E mais ainda encontrar certezas.
É sofrimento demais, pra mim, pra ele e eu sinto que nenhum de nós ganha nada com isso.
E eu já andava tão cansada da dinâmica de sempre..eu 'encontro' algo errado, falamos, eu fico triste, ele fica triste e preocupado, ele resolve, eu fico culpada, ele fica cansado. Entretanto, as coisas sempre continuam melhores que antes.
Eu não sei como ele consegue ser tão estático, como pra ele sempre está tudo bem, até que se prove o contrário. Engraçado como ele é tão otimista nisso =p E eu, tão cheia de dedos, tão cheia de cuidados. Acho que por me importar eu faço mais besteira do que se eu deixasse pra lá. Mas bem, eu já fui sacaneada, porque nessas horas, a despeito do que eu ouço, não tem como não pensar diferente. É muita responsabilidade um relacionamento tão importante pra alguém tão inexperiente. A probabilidade de estragar a coisa é muito maior, mesmo que eu não queira. E sempre, sempre, no melhor e no pior, eu sempre tive a certeza de que é agora ou não será mais, ou é ele ou nenhuma outra pessoa. Porque ninguém jamais vai conseguir me fazer feliz como ele me faz, e ninguém vai conseguir ser tão amável quanto ele. Hm.. no português amável não é a mesma coisa que lovable.. Ele tem características únicas que me fazem amá-lo. =>
E é por isso mesmo que eu me pergunto 'como'. E pensando nisso há tempo suficiente eu tenho um quase sem-número de pensamentos..
Eu li em algum lugar que 'é apropriado esperar amor, atenção e apoio do cônjuge. No entanto, até mesmo esse desejo pode não ser satisfeito.' Se uma pessoa casada, que convive consegue sentir carência, eu tenho todo o direito do mundo. Embora essa minha necessidade supere até a minha paciência para comigo mesma. E a distância torna tudo pior.
Mesmo que eu não sinta falta dele propriamente dito, eu me pego sentindo falta de um milhão de outras coisas de um relacionamento normal, mesmo não tendo tido um. De encontrar no final de semana, sexta depois da aula especialmente, pra um cinema, um jantar ou mesmo só pra ficar junto. De namorar, de estar junto sem intenção nenhuma, sem querer fazer nada. De surpresas, de agrados e tudo o que poderia ser.
E pelo fato dele não sentir essa necessidade, ele não pode corresponder a altura. Todas as vezes em que conversamos ele sempre me dizia que poderia tentar mudar, mas que seria algo falso, irreal, não viria dele próprio. E eu sempre desistia, porque eu queria que fosse algo que partisse dele. E acabei deixando pra lá, deixando de lado minhas próprias necessidades no relacionamento. O que eu ia fazer? Dar um ultimato? Eu achei que tinha sido bem clara quando eu disse que precisava sentí-lo presente ou meu amor iria diminuir.
Mas há muito mais coisas envolvidas nisso. Como a felicidade dele. Eu nem consigo mais lembrar quantas vezes eu falei que pra ele 'nada nunca estava bom'. Eu sei que ele tem muitos motivos pra reclamar e pra se sentir mal. Bem, uma coisa são os corvos sobrevoarem a sua cabeça, a outra é permitir que eles façam ninhos. Ele era mais feliz antes, e hoje não é. Seja porque a situação mudou, seja porque ele estava omitindo coisas. Não sei, eu acho que eu sempre fui bem sincera desde o começo, não achou que eu mudei dessa forma. E ele não sabe que 'se vc está feliz eu fico feliz, se vc está triste eu fico triste', ou não entende como funciona. DE sempre vê-lo ruim eu me sinto miserável, especialmente por não poder ajudar em mais nada. Ou porque as minhas tentativas de mostrar meu amor de diversas formas não surtem efeito, não o deixam mais feliz assim.
As coisas são assim faz tempo, mas desde que ele passou no vestibular, que eu me sinto na obrigação de não cobrar, não comentar. Pra não tornar a situação pior, pra não tornar as coisas mais difíceis pra ele, e especialmente, pra ver se ele consegue ficar mais feliz, ao menos um pouco.
Por causa disso, eu coloquei em segundo plano todas as minhas necessidades, todos os meus problemas, a carência, a solidão, a depressão. E enfrentei isso sozinha pra provar que eu também era forte, mas que sem esperança as coisas ficam muito mais difíceis.
E acabei, as vezes, perdendo a esperança, perdendo as forças. Perguntando a mim mesma se isso valia a pena, porque eu sentia que estava dando mais do que recebendo. Ou sentindo que eu não estava recebendo nada. (Quantas vezes eu cansei de insistir pra ele me escrever, ocasionalmente, um pouquinho que seja porque eu sinto falta de ouví-lo, de lê-lo e sinto falta ate da caligrafia que ele não gosta). Eu acabei não me sentindo mais especial, não mais a pessoa mais importante do mundo pra ele. Por relevar coisas demais, ao ponto de ir ficando irritada e chateada com pequenos detalhes. Até o ponto que a coisa estourou.
De tudo isso restaram apenas alguns posts de reclamações e desabafos não publicados no blog.
Porque eu acreditei sinceramente, que ele tivesse a capacidade de perceber quando tem alguma coisa errada. Que ele tivesse a força pra insistir, perguntar, e forçar de alguma forma a melhora da situação.
Mas como ele iria perceber, se pra ele, sempre está tudo bem?
E pelo fato de não me sentir especial, ele também passou a não ser tão especial. Claro que continuaria com todas as maravilhosas características deles. Mas os defeitos estavam prevalecendo e sendo irritantes. E eu estava até sem saber o que fazer.
Até o dia do aniversário. Que ele esqueceu e eu não consigo mais. Que ele tão pressionado emocionalmente por ele mesmo, reagiu de uma forma que me deixou sem ação. E sem ação, sem razão e sem motivo eu não pude chorar, ficar magoada e depois começar o processo de cura. Eu tive que enfiar goela abaixo, como um remédio amargo, e deixar pra lá, fingir que nunca tinha acontecido nada. Eu considerei hipnose..
Eu me tornei fria, mais amarga e realista. Se isso, que estava na lista de coisas que nunca iriam acontecer comigo, quer dizer que todas as outras também podem. É uma probabilidade, porque ninguem manda nos próprios sentimentos e não se sabe o que vai acontecer daqui anos.
E o pior é que a emenda saiu pior que o soneto. Tentando não prejudicá-lo ainda mais, a minha atitude pareceu indiferença. E ele nunca reclamou de nada, ainda não sei porque. Eu devo realmente parecer ser muto brava e arredia pra ele não insistir e ,se for o caso, discutir isso.
E se for pra não se sentir amada, que é o que conta, e pra correr o risco de um dia não ser amada, seja por aparência (como sempre esteve bem claro), por questões sexuais, emocionais ou mais alguma que eu não possa imaginar, é melhor eu não amar porque assim eu sofro menos.
Olhando assim até tem lógica.
Mas, como ele me abriu os olhos pra isso, também podia ser que fui amando menos pra diminuir o sofrimento. Porque esse relacionamento é doloroso e penoso demais as vezes. Então talvez até fosse bom diminuir de atroepelada-por-rolo-compressor para alguma coisa mais suave e delicada.
Não significa que o processo seja menos doloroso. Não significa que eu saiba exatamente o que e porque está acontecendo. Não significa que eu ache bom dizer 'eu não te amo como antigamente' ou 'eu te amo menos'. Não signifique que eu não tenha idéia de como é ouvir isso e se sentir culpado, ao mesmo tempo que eu digo e me sinto culpada.
Acho que isso do vestibular e mudança acentuou as questões que já existiam. E não é o fato dele não ter vindo morar aqui, porque eu sempre tive muito mais confiança nele do que ele mesmo, e com certeza, eu estranharia se ele não passasse agora.
é bom que ele tenha se sentimentalizado mais com essas mudanças na vida todas, talvez fique mais claro pra ele como as coisas não são simples e fáceis de se entender, ou de se obter uma resposta clara.
Mas, em contrapartida, depois de termos conversado (o que parece que foi a meses atrás e não nesse fds) as coisas parecem pouco diferentes e melhores. Não no fato dele estar mais animado, mais perceptivo ou mais correspondente ao que eu preciso.
Apesar de tudo, eu continuo tendo a certeza de gostar dele daquele jeito especial, embora as vezes eu fique tao magoada de não querer dizer 'te amo'.
Apesar de tudo, eu ainda planejo um futuro juntos e estou disposta a compartilhar a vida com ele. A esperar esses 4 anos.
Estou mais aliviada, ao ter exposto a situação, e tenho a confiança de que isso também vai passar. Porque nós queremos resolver isso. E como ele disse, o nós é e tem que ser mais importante que ele ou eu.
Pode ser que o amor não tenha diminuido, apesar da sensação de vazio. Pode ser apenas um alerta para o que está acontecendo.
Pode ser uma auto-proteção. Pode ser que a paixão tenha passado e ficado só o amor e eu não saiba. Pode ser que o sentimento tenha evoluído pra algo mais calmo e tranquilo, mais sereno, e portanto menos intenso e violento.
Pode ser bom. Pode ser ruim.
Mas por enquanto, eu ainda não sei.
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