Bem, há muito tempo eu venho pensando em escrever, em pôr um pouco de ordem em alguma coisa, se for possível.
Mas incrível como eu consigo estar sempre cansada mesmo fazendo nada.
A primeira coisa que é importante que eu escreva, e lembre: foi muito melhor, esta sendo muito mais fácil depois de ter tirado esse peso dos ombros.
É engraçado. O jeito que ele fala sobre sentimentos, e parece até que eu sou phd nisso. Não sei como eu consegui esquecer como isso costuma ser tão complicado.
Eu sempre achei que o mais complicado que eu fosse lidar fossem situações do tipo amor-não-correspondido, as incertezas padrões femininas (eu gosto dele de verdade? ou só porque ele me trata bem?), ou ia gostar mais de alguém e a coisa fosse terminar em divórcio e/ou traição como acontece com a maioria das pessoas hoje em dia.
Eu nunca achei que um relacionamento fosse ficar mais complicado que isso.
Todo mundo sempre diz, o amor não se mantém sozinho e você tem que cultivá-lo, e eu fiz. Que você tem de se fazer presente mesmo distante, e eu fiz. Que você precisa ter forças pra superar os obstáculos em favor de um futuro comum e feliz, e eu continuei acreditando.
Então porquê isso foi acontecer comigo?
Não é chorar o leite derramado, mas sim ver onde, o que foi que eu fiz de errado ou o que eu não fiz e poderia ter feito pra evitar isso tudo. E é difícil encontrar respostas. E mais ainda encontrar certezas.
É sofrimento demais, pra mim, pra ele e eu sinto que nenhum de nós ganha nada com isso.
E eu já andava tão cansada da dinâmica de sempre..eu 'encontro' algo errado, falamos, eu fico triste, ele fica triste e preocupado, ele resolve, eu fico culpada, ele fica cansado. Entretanto, as coisas sempre continuam melhores que antes.
Eu não sei como ele consegue ser tão estático, como pra ele sempre está tudo bem, até que se prove o contrário. Engraçado como ele é tão otimista nisso =p E eu, tão cheia de dedos, tão cheia de cuidados. Acho que por me importar eu faço mais besteira do que se eu deixasse pra lá. Mas bem, eu já fui sacaneada, porque nessas horas, a despeito do que eu ouço, não tem como não pensar diferente. É muita responsabilidade um relacionamento tão importante pra alguém tão inexperiente. A probabilidade de estragar a coisa é muito maior, mesmo que eu não queira. E sempre, sempre, no melhor e no pior, eu sempre tive a certeza de que é agora ou não será mais, ou é ele ou nenhuma outra pessoa. Porque ninguém jamais vai conseguir me fazer feliz como ele me faz, e ninguém vai conseguir ser tão amável quanto ele. Hm.. no português amável não é a mesma coisa que lovable.. Ele tem características únicas que me fazem amá-lo. =>
E é por isso mesmo que eu me pergunto 'como'. E pensando nisso há tempo suficiente eu tenho um quase sem-número de pensamentos..
Eu li em algum lugar que 'é apropriado esperar amor, atenção e apoio do cônjuge. No entanto, até mesmo esse desejo pode não ser satisfeito.' Se uma pessoa casada, que convive consegue sentir carência, eu tenho todo o direito do mundo. Embora essa minha necessidade supere até a minha paciência para comigo mesma. E a distância torna tudo pior.
Mesmo que eu não sinta falta dele propriamente dito, eu me pego sentindo falta de um milhão de outras coisas de um relacionamento normal, mesmo não tendo tido um. De encontrar no final de semana, sexta depois da aula especialmente, pra um cinema, um jantar ou mesmo só pra ficar junto. De namorar, de estar junto sem intenção nenhuma, sem querer fazer nada. De surpresas, de agrados e tudo o que poderia ser.
E pelo fato dele não sentir essa necessidade, ele não pode corresponder a altura. Todas as vezes em que conversamos ele sempre me dizia que poderia tentar mudar, mas que seria algo falso, irreal, não viria dele próprio. E eu sempre desistia, porque eu queria que fosse algo que partisse dele. E acabei deixando pra lá, deixando de lado minhas próprias necessidades no relacionamento. O que eu ia fazer? Dar um ultimato? Eu achei que tinha sido bem clara quando eu disse que precisava sentí-lo presente ou meu amor iria diminuir.
Mas há muito mais coisas envolvidas nisso. Como a felicidade dele. Eu nem consigo mais lembrar quantas vezes eu falei que pra ele 'nada nunca estava bom'. Eu sei que ele tem muitos motivos pra reclamar e pra se sentir mal. Bem, uma coisa são os corvos sobrevoarem a sua cabeça, a outra é permitir que eles façam ninhos. Ele era mais feliz antes, e hoje não é. Seja porque a situação mudou, seja porque ele estava omitindo coisas. Não sei, eu acho que eu sempre fui bem sincera desde o começo, não achou que eu mudei dessa forma. E ele não sabe que 'se vc está feliz eu fico feliz, se vc está triste eu fico triste', ou não entende como funciona. DE sempre vê-lo ruim eu me sinto miserável, especialmente por não poder ajudar em mais nada. Ou porque as minhas tentativas de mostrar meu amor de diversas formas não surtem efeito, não o deixam mais feliz assim.
As coisas são assim faz tempo, mas desde que ele passou no vestibular, que eu me sinto na obrigação de não cobrar, não comentar. Pra não tornar a situação pior, pra não tornar as coisas mais difíceis pra ele, e especialmente, pra ver se ele consegue ficar mais feliz, ao menos um pouco.
Por causa disso, eu coloquei em segundo plano todas as minhas necessidades, todos os meus problemas, a carência, a solidão, a depressão. E enfrentei isso sozinha pra provar que eu também era forte, mas que sem esperança as coisas ficam muito mais difíceis.
E acabei, as vezes, perdendo a esperança, perdendo as forças. Perguntando a mim mesma se isso valia a pena, porque eu sentia que estava dando mais do que recebendo. Ou sentindo que eu não estava recebendo nada. (Quantas vezes eu cansei de insistir pra ele me escrever, ocasionalmente, um pouquinho que seja porque eu sinto falta de ouví-lo, de lê-lo e sinto falta ate da caligrafia que ele não gosta). Eu acabei não me sentindo mais especial, não mais a pessoa mais importante do mundo pra ele. Por relevar coisas demais, ao ponto de ir ficando irritada e chateada com pequenos detalhes. Até o ponto que a coisa estourou.
De tudo isso restaram apenas alguns posts de reclamações e desabafos não publicados no blog.
Porque eu acreditei sinceramente, que ele tivesse a capacidade de perceber quando tem alguma coisa errada. Que ele tivesse a força pra insistir, perguntar, e forçar de alguma forma a melhora da situação.
Mas como ele iria perceber, se pra ele, sempre está tudo bem?
E pelo fato de não me sentir especial, ele também passou a não ser tão especial. Claro que continuaria com todas as maravilhosas características deles. Mas os defeitos estavam prevalecendo e sendo irritantes. E eu estava até sem saber o que fazer.
Até o dia do aniversário. Que ele esqueceu e eu não consigo mais. Que ele tão pressionado emocionalmente por ele mesmo, reagiu de uma forma que me deixou sem ação. E sem ação, sem razão e sem motivo eu não pude chorar, ficar magoada e depois começar o processo de cura. Eu tive que enfiar goela abaixo, como um remédio amargo, e deixar pra lá, fingir que nunca tinha acontecido nada. Eu considerei hipnose..
Eu me tornei fria, mais amarga e realista. Se isso, que estava na lista de coisas que nunca iriam acontecer comigo, quer dizer que todas as outras também podem. É uma probabilidade, porque ninguem manda nos próprios sentimentos e não se sabe o que vai acontecer daqui anos.
E o pior é que a emenda saiu pior que o soneto. Tentando não prejudicá-lo ainda mais, a minha atitude pareceu indiferença. E ele nunca reclamou de nada, ainda não sei porque. Eu devo realmente parecer ser muto brava e arredia pra ele não insistir e ,se for o caso, discutir isso.
E se for pra não se sentir amada, que é o que conta, e pra correr o risco de um dia não ser amada, seja por aparência (como sempre esteve bem claro), por questões sexuais, emocionais ou mais alguma que eu não possa imaginar, é melhor eu não amar porque assim eu sofro menos.
Olhando assim até tem lógica.
Mas, como ele me abriu os olhos pra isso, também podia ser que fui amando menos pra diminuir o sofrimento. Porque esse relacionamento é doloroso e penoso demais as vezes. Então talvez até fosse bom diminuir de atroepelada-por-rolo-compressor para alguma coisa mais suave e delicada.
Não significa que o processo seja menos doloroso. Não significa que eu saiba exatamente o que e porque está acontecendo. Não significa que eu ache bom dizer 'eu não te amo como antigamente' ou 'eu te amo menos'. Não signifique que eu não tenha idéia de como é ouvir isso e se sentir culpado, ao mesmo tempo que eu digo e me sinto culpada.
Acho que isso do vestibular e mudança acentuou as questões que já existiam. E não é o fato dele não ter vindo morar aqui, porque eu sempre tive muito mais confiança nele do que ele mesmo, e com certeza, eu estranharia se ele não passasse agora.
é bom que ele tenha se sentimentalizado mais com essas mudanças na vida todas, talvez fique mais claro pra ele como as coisas não são simples e fáceis de se entender, ou de se obter uma resposta clara.
Mas, em contrapartida, depois de termos conversado (o que parece que foi a meses atrás e não nesse fds) as coisas parecem pouco diferentes e melhores. Não no fato dele estar mais animado, mais perceptivo ou mais correspondente ao que eu preciso.
Apesar de tudo, eu continuo tendo a certeza de gostar dele daquele jeito especial, embora as vezes eu fique tao magoada de não querer dizer 'te amo'.
Apesar de tudo, eu ainda planejo um futuro juntos e estou disposta a compartilhar a vida com ele. A esperar esses 4 anos.
Estou mais aliviada, ao ter exposto a situação, e tenho a confiança de que isso também vai passar. Porque nós queremos resolver isso. E como ele disse, o nós é e tem que ser mais importante que ele ou eu.
Pode ser que o amor não tenha diminuido, apesar da sensação de vazio. Pode ser apenas um alerta para o que está acontecendo.
Pode ser uma auto-proteção. Pode ser que a paixão tenha passado e ficado só o amor e eu não saiba. Pode ser que o sentimento tenha evoluído pra algo mais calmo e tranquilo, mais sereno, e portanto menos intenso e violento.
Pode ser bom. Pode ser ruim.
Mas por enquanto, eu ainda não sei.
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
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