quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Can I have this love forever - porque nós é tudo o que importa

Quando eu era criança, épocas de pré-escola, eu nunca sabia quando era o inverno, porque eu não entendia o clima daqui.
Embora seja primavera, chove todos os dias, e um dia que ocasionalmente não chove, em sua maior parte fica nublado e feio, com temperaturas baixas.
Então o inverno pra mim era quando o tempo ficava triste, o céu nublado e feio chorava em plena primavera. Mal sabia eu que estávmos perto do verão.

Nessas época sempre era ruim ir pra escola, com qualquer idade, porque os carros nunca respeitam os pedestes quando chove. Acho que não respeitam quando faz sol também, mas ao menos você não corre o risco de chegar ensopada. E o pior, com o tênis e a meia todo molhados fazendo 'squish squish' por onde você passa. E depois da quarta série usar galochas era mico demais.
O tempo passou e eu continuo não gostando dessa época e desse clima. Essa primavera falsa, que deixa as pessoas mais tristes,e não parecem nem um pouco com a primavera dos filmes que a gente vê na televisão. O natal e o ano novo ainda estão muito distantes e o espírito das festas não contagiou ninguém. Não sei, também acho que essa época só as crianças são felizes assim, e as únicas com férias de 3 meses..

Pra variar choveu hoje. Continuam ocorrendo atritos ocasionais aqui em casa. Eu acho que é tudo fruto do mal humor das pessoas. Mas é uma pena, porque aumenta a vontade de ir morar sozinha. Além de ser uma grande bobagem, seria um grande desperdício de dinheiro.
Pelo menos durante a aula de japonês, as coisas são melhores.. eu fico conversando até dar 22h ou mais e venho pra casa. Em relação ao idioma, estou fazendo alguns progressos, que poderiam ser maiores eu sei. Mas pro nível de dedicação que eu tenho está bom. Assim que eu achar um programa que me ajude a estudar (que eu pretendo procurar nesse fds ou no próximo feriado) certeza que o progresso vai ser mais efetivo. Parece que vai ter uma noite de yakisoba e karaoke na escola..seria bom, é legal conversar trivialidades com o pessoal de lá. Acho que tirando eles e o pessoal do laboratório, acabou meu convívio social.
Tem uma festa com fantasia obrigatória na casa de uma colega. Mas a fantasia é orbigatória, e eu não estou nem um pouco no clima pra isso. O apartamento dela, no centro da cidade, é beem longe da minha casa e ruim de estacionar por perto, e não dá pra voltar tarde porque a eleição é no dia seguinte e eu gosto de votar cedo e ficar livre. O horário da festa é meio ruim, começa 18/19hs, mas certeza que o pessoal só chegaria as 20/21. É estilo americana e ela não separou o que cada um vai levar, então esse tipo de festa tem muita bebida e nada de comida, mas pra mim isso não faz diferença. Eu iria lá pra quê? Apenas pra encontrar 2 ou 3 pessoinhas legais e só. Porque tem muitos móveis na casa dela e mal tem espaço pras pessoas sentarem. Então é só comer, beber e conversar. No máximo ver tv ou jogar videogame, que pra mim, não é algo interessante. E as pessoas são bem diferentes, fica chato de conversar, com o tempo fica entediante conversar com gente que não tem os mesmos interesses.
Resumindo: não tou nem a fim de ir...

É estranho mas o espaço, o enorme vazio que eu via quando olhava pra dentro de mim vem sumindo. E eu espero que continue assim. Claro que não é a mesma coisa de antes, mas acho que mesmo com toda essa tristeza, tudo pode ficar melhor do que estava antes. Mais calmo e mais sereno pode ser melhor.
E algumas coisas continuam como antes: eu costumo falar do 'meu namorado' o tempo inteiro, sem nem perceber. Só é esquisito quando eu falo algo que não faz sentido pras pessoas normais, aí eu tenho que explicar boa parte da história. E as pessoas ficam com pena. E eu lembro como é ruim e tenho que morder a língua pra não chorar.
Antigamente eu só precisava dar uma apertadinha com os dentes na língua, um beliscãozinho. Hoje isso não funciona mais, eu mordo bem no meio, com bastante força, porque quase nunca é bom ou normal chorar na frente das pessoas.
E tem motivos que tornam impossível chorar em qualquer lugar, pela intensidade. Como quando eu lembro que sempre que nos encontramos nunca é por tempo suficiente, e sempre existe a partida. Uma dor tão intensa e profunda que eu chego a achar que um pedaço do meu peito foi arrancado sem anestesia. E, diferentemente do resto, não passa. Eu choro, choro, choro e essa dor não vai embora. E eu não consigo mais controlar o meu corpo entre chorar, respirar, gritar e não consigo fazer nada pra dor passar, como se eu estivesse sendo comida viva. A saudade só vai quando ele vem, e quando ele vai ela sempre volta de novo.

Agora eu tenho uma dor maior, por todas as conseqüências que esse problema causou, por tudo de ruim que eu acabei fazendo pra ele, pelo fato de ter abalado o relacionamento, por ele ter perdido a confiança em mim. E o que me dá mais revolta, que fortalece essa sensação ruim que eu tenho e me faz quase sufocar, é que tudo podia ter sido diferente se eu soubesse.

É claro que amor não some, não desaparece, no máximo se transforma. Eu fui muito burra e ingênua, e me expressei muito mal por não entender direito, foi muito doloroso pra mim (imensamente mais pra ele) dizer da forma que eu disse, mas eu não sabia. Se soubesse teria evitado isso tudo, ou feito de outra forma, mas como eu ia saber. Acho extremamente injusto isso, mas não teve jeito.

Estou bem ao perceber que eu não o amo menos, e sim o que mudou foi a forma, amadureceu um pouco, mas isso não é ruim, e eu vejo que continuo sofrendo por amor e saudade do mesmo jeito, que continuo sabendo muito bem o que eu gosto nele, e ainda lembro perfeitamente porque eu comecei a gostar dele e tudo nele que me encanta.
Mas estou preocupada com as conseqüências. Com tudo o que vai acontecer com ele. Com o fato de que eu posso tentar ao máximo fazer ele acreditar em mim, conquistar o amor e a confiança que ele tinha antes e talvez não conseguir.
É horrível ele pensar que eu não o amo, ou que amo pouco, ou não o amo o suficiente, quando não há nada que eu não faria por ele ou pra ele. Eu colocaria fogo no meu próprio corpo se isso pudesse protegê-lo de alguma forma, eu venderia minha alma ao diabo, passaria a eternidade no inferno

Eu tenho muito medo de que o sentimento dele por mim tenha diminuído, e que talvez isso possa ser irrecuperável. E eu não quero nem pensar nisso. Porque mesmo que eu tente me enganar dizendo que sem ele tudo pode ficar bem, eu sei que isso é uma mentira, uma ilusão que o meu cérebro cria pra proteger o meu coração. A verdade é que eu o amo demais pra conseguir suportar qualquer coisa sem ele, e porque viver não faz mais sentido sem ele. Eu prefiro enfrentar toda a eternidade num inferno de suicídas do que ficar sem ele. E eu tenho muito medo quando percebo isso. Por estar tão ligada a ele e ser tão dependente dele sem poder fazer nada, sem ter proteção nenhuma, por ser tão vulnerável. Porque eu tenho medo de que um dia ele vá embora, seja porque motivo for, e eu fique sozinha com toda a dor e a tristeza, pois não vou ter ânimo pra mais nada e nada mais vai ter a mesma graça.
E eu tenho mais medo ainda de eu ser o motivo que o afaste de mim. E é tanta coisa que pode fazer dar tudo errado. Eu posso nunca satisfazê-lo sexualmente, emocionalmente ou intelectualmente. Eu posso ter defeitos que se tornem insuportáveis. Eu tenho medo de ofendê-lo, machucá-lo, magoá-lo mesmo sem querer, porque eu sua uma pessoa muito imperfeita, muito mesquinha e egoísta. Eu sei que mesmo que eu perca todo o peso e fique magra eu nunca vou ser tão bonita quanto o monte de outras mulheres que existem por aí, justamente eu, que estou tão distante dos tipos preferidos dele. Eu tenho medo que mesmo que eu fique magra, ainda não seja suficiente. Eu tenho medo que ele se canse de lidar com uma pessoa com tantas necessidades emocionais. Eu tenho medo que ele perca o interesse e fique entediado e irritado com uma pessoa que é tão diferente dele. Eu tenho medo que ele se canse de tudo por ser difícil de entender.. Eu tenho medo que eu nunca seja perfeita, que tudo nunca seja bom o suficiente e eu não consiga evitar que dê errado.
Por isso que eu as vezes me martirizo tanto tentando me encaixar em tudo, tentando deixar tudo perfeito ou bom. E mesmo que eu chegue a pensar se todo o sofrimento vale a pena, eu não tenho escolha. E é com muita felicidade que eu digo que não tenho escolha, que eu mesmo sendo tão imperfeita sou capaz de ter sentimentos de tanta intensidade, sou capaz de amá-lo com tanta força. Com o meu coração e todo o meu ser eu o amo mais do que qualquer coisa que possa existir, mais do que a própria vida, mais que o universo. E as vezes meu cérebro é idiota, bobo e ingênuo por não admitir que a única alternativa que eu tenho, a única alternativa que me faz feliz, é amá-lo e estar com ele.
Por isso é sempre tão sofrível quando acontece algum problema. Esses pensamentos ficam se repetindo na minha cabeça, e eu quase morro de sofrimento por vislumbrar que isso pode chegar a um fim. E como me dói imaginar tal coisa, que dirá ver um caminho pra isso acontecer..

Mas ,infelizmente e me dói muito perceber isso, dessa vez a coisa teve que chegar onde chegou pra eu perceber que tinha algo errado, pra saber que eu precisava fazer alguma coisa. Existem coisas que colocam o relacionamento em risco e que precisam ser superadas.

E se ele não tivesse me dito eu nunca iria perceber, eu nunca iria entender profundamente -como entendo agora- que 'nós' é mais importante que 'eu' ou 'ele'. E isso faz toda a diferença.
Então eu não vou mais deixar de falar dos meus problemas com medo de chateá-lo, não vou mais responder 'estou bem' por educação, não vou deixar de fazer cobranças quanto as necessidades de carinho e afeto que eu tenho, não vou deixar de reclamar sobre tudo o que eu acho que não está certo por mais chato que isso seja,e não vou fingir que eu sou forte como ele - pois é algo que eu não sou. Porque, ao mesmo tempo que essas pequenas coisas podem pôr em risco o relacionamento, agir de outra forma pode por tudo a perder. Então, eu sou obrigada a correr o risco.

É por isso que eu tenho medo. De ter algo tão precioso, tão intenso e tão verdadeiro como esse sentimento, e ser tão inexperiente, tão ingenua pra pôr tudo em risco. É tão revoltante a minha incapacidade, porque o que eu tenho a perder é muito, é tudo o que importa pra mim.

Estou preocupada. Muito preocupada. Com ele, com o que ele está sentindo, com o que ele está sofrendo. Como as coisas vão acontecer. E não quero nem pensar que eu sou a causa disso tudo pra não ter vontade de pular da ponte.
Queria passar uma grande borracha nisso tudo, e passar férias com ele. Porque quando estamos juntos, há uma certeza maior. Maior que eu, maior que ele, maior que isso tudo e qualquer outra coisa. Porque quando a minha alma está perto da dele o meu coração fica em paz, e só assim eu consigo ter forças pra ser uma pessoa melhor.

Passar um bom tempo juntos seria ótimo pra nós e pro nosso relacionamento, iria fechar a cicatriz. Duas semanas, um mês juntos. Sem trabalho, faculdade ou nada pra atrapalhar.
Mas, por enquanto, eu fico só com a vontade.

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