quarta-feira, 28 de março de 2007

Caos

Seria a palavra mais próxima pra definiri o que tem acontecido.
Fizemos todo o planejamento de experimentos pra semana, cronograma organizado, adequado ao nosso tmepo disponível e que em breve iria dar resultados.
Vou eu contente e feliz para a faculdade na terça e tudo vai bem até que por volta das 10 a luz cai. E volta fraca, mas volta. Só um susto, penso eu. E cai de novo. Meia hora depois volta, fica mais quinze minutos e cai. Quando penso queestabilizou cai novamente.
Quatro quedas de luz em 2h. E passo a tarde inteira, eu e centas de pesquisadores e estudantes, esperando a luz voltar, sem aulas, sem poder fazer experimentos. E no subsolo, sem poder fazer nada.
As 15h eu vejo que a luz não vai mesmo voltar e tenho que me conformar com o dia perdido. Não pude ir pra casa, pois meu pai só sai as 17h. E tive que ficar fazendo nada. Ou melhor, tive que ficar dando jeito nos problemas que a falta de luz causou. Tirar tudo da tomada, ajudar a salvar os materias e experimentos, e o mais importante: se desesperar rpa tentar descobrir como fazer os materiais ficarem gelados. Não temos gerador e milhões de reais em produtos que foram conseguidos com muito custo podem se perder por causa de uma infantilidade. A birra da CEB e da UnB pelo pagamento da conta de luz, que anda na justiça, um velho problema. E ainda querem provatizar...a CEB, isso se não já for privada.
A única idéia que tivemos, de usar nitrogênio líquido pra manter a temperatura, poderia gerar alta pressão e danificar freezers ou mesmo explodí-los.
Com tanta exigência mental, cheguei em casa quebrada. Tomei um banho e fui dormir, mas programei o relógio pra despertar meia noite.
A falta de luz me trouxe uma memória muito doce de um dia 27, o dia em que eu fui pedida em namoro. Que aconteceu, também, durante uma falta de luz num 27 de setembro. Foi esse o motivo que me fez ir ao serviço do meu pai mais cedo.
Então ao menos uma boa lembrança eu tive. E queria falar algo de especial pra ele, por isso levantei de noite, pra dar um beijo de boa noite especial e ir dormir, pois estávamos ambos com vida corrida.

Hoje eu não levantei muito bem. Aliás, levantei bem mas comecei o dia meio mal. Meu pai costumava sair de casa as 7:15, e eu levantava as 7. Com a idade ele tá levantando cada vez mais cedo, e agora pra sair as 7 eu tenho q levantar as 6:45. Pior é chegar cedo e esperar, que normalmente acontece. Eu fiquei meio assim mas fazer o que. O trânsito também tá cada dia pior. Eu prefiro sair 8:30, que tá vazio mas não posso =P
Quando cheguei na faculdade vi que a luz tinha voltado 1h depois que eu fui pra casa, e as minhas amostras estavam todas congeladas. Levei quase 2h pra conseguir descongelar. Quando ia colocar o material na centrífuga, a luz acabou de novo. E já ficamos todos desanimados.
Por sorte a luz voltou pouco antes do almoço e eu pude esquentar minha sopa no microondas. Hoje coloquei um sachet de molho agridoce pra dar um gosto diferente, ficou maravilhoso, pena q não tinha mais..
Nisso meu pai me ligou, ia no mercado, a faculdade é caminho e eu fui. Não tinha nada pra fazer sem luz mesmo. Quer dizer, até levei hoje material impresso do concurso pra estudar, mas no escuro legislação dá sono muito fácil.
Na volta a luz tinha estabilizado. As 13:30 levei o material pra centrifugar, e achei que até dava pra recuperar o dia perdido quando coloquei a 2a. amostra, meia hora depois na centrifuga. E a luz caiu. Dessa vez meu material tava dentro da centrífuga, que é eletrônica até pra abrir e fechar. E ninguém sabia (nem sabe se existe) onde fica o botao de segurança que permite abrir em caso de emergencia. E o grupo dono da centrífuga nem tem idéia de onde tá o manual. Ficamos nesse nervoso, quando uma colega decidiu ligar pro namorado pra procurar na internet. A luz voltou e eu resolvi dar uma mudada no processo. Meu medo era colocar o material e acontecer o mesmo. Decidi deixar do jeito que estava, sem centrifugar e continuar o protocolo. Era só pingar uma solução mantendo sob agitação constante e deixar filtrando durante a noite. Até achei que ia conseguir quando tava tudo pronto funcionando. Lavei e arrumei as coisas, fiz o projeto pra aula de modelagem molecular amanhã e tava no meio de umas buscas na internet (como eu a uso..) E então, cai a luz. E eu sem poder interromper o experimento, sento, não tão paciente quanto devia e fico a mexer, manualmente a solução, ao menos ia poder filtrar durante a noite, e de 2 dias eu só perderia um ou um e meio. Mas fiquei agitando por horas e isso me cansou. Fora que trabalhar em laboratório não é sentado, sempre em pé, andando e fazendo coisas.
Meu pai me ligou pra irmos pra casa, eu tive que vir deixar as compras e meu pai e pegar o carro pra retornar pro forum de estudos de lingua japonesa. Por sorte (e um pouco de manha) fiz o caminho em 15min e ainda cheguei a tempo de sentar. Minha turma chegou bem atrasada. Não foi o que eu pensava, achava que ia ser algo mais sério, mas com uma 'peça' de demonios e atiradores-de-soja-pra-espantar demonio a coisa me pareceu apresentação do primário. Os relatos de ex-bolsistas não ajudaram em nada. A única coisa boa foi ver pessoas que eu não via há tempos, descobrir o que era 'yosakoi', "dança" típica japonesa, (que me interessou e eu tenho q ver se conigo fazer já q a unb provavelmente vai receber um instrutor disso), e claro não ter aula de japonês. Minha prof. ainda tá se readaptando ao fuso 24h oposto e aula tem sido meio chata. Eu ainda naõ tive tempo de revisar tudo como queria e acho bom. E ganhei a soja crua que sobrou. Meu material de doutorado é parente da soja, então é interessante, mas muito estudada. Eu vou usar a soja pra testar se funciona contra o crescimento de pelos. Só não sei se documento o estudo cientificamente..
E agora que cheguei em casa e vim pra net eu li o blog dEle.

Eu fiquei meio mal com a impressão que Ele tem das coisas. Até pela postura científica, eu acho bom delimitar um problema, tentar ficar mais próximo da causa provável mesmo que ainda não ache a solução. Só isso me deixa um pouco melhor e mais aliviada, não sei se Ele entendeu isso.
Ou se Ele assumiu a culpa por tudo, porque eu não empurrei a culpa nem o problema pra Ele, pelo menos não tentei fazer isso. Mesmo porque estou tentando me livrar dessa necessidade de encontrar um cupado pra tudo e parar de rodar simulações sobre o que já aconteceu.(os se..)
Então me sinto ruim de saber que Ele está mal. Ontem meu dedo da aliança doeu o dia todo, e foi estranho doer quando eu tiro a aliança (ontem e hj) pra trabalhar pra não danificar.
Acho que Ele tem muitos motivos pra não se sentir bem: a faculdade, a falta da família, minha falta, as provas, a falta de amigos. E não sei bem como ajudar, não sei o que fazer de diferente. Uma amiga deu a idéia dEle vir no feriado de 1° de maio, enforcar a segunda. Não sei se poderia ou se valeria a pena, com as ferias ficando mais próximas.
Não sei se Ele está deprimido, ou carente ou o que tá fazendo ele se sentir mal. E não sei nem se Ele tem tempo pra me deixar ajudar. Tempo aliás, é um assunto muito complicado. Eu acho que não tenho nada a dizer sobre isso que ajude.
E como já passei um bom tempo aqui, vou preparar tudo pra amanhã e esperar pra ver se Ele tem tempo e precisa de ajuda ou quer conversar.
Como estou coma vida corrida, eu sinto (nesse caso, sentir de lamentar) muito pouco. Com um milhão de coisas pra me preocupar, eu não posso me dar ao luxo da saudade.

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