sábado, 3 de março de 2007

Meus pais já estavam se desentendendo há algum tempo.
Essa semana, ouvi dos dois (em separado) se não haveria problema se eles se separassem. Eu só ouvi, não é assunto meu, não há nada que eu possa fazer, e pra variar cansei de ouvir essa história. Um diz que está cansado do outro.
Vez ou outra isso acontece e me traz preocupações que eu não gostaria de ter. Normalmente, nad acontece. Nem ele tem coragem de sair nem ela de mandar ele embora.
Mas hoje de manhã, minha mãe falou comigo de novo. Falta pouco pro meu pai aposentar, e eles tão juntos há muito tempo, que em setembro o contrato de aluguel da minha irmã vence, e que era melhor esperar, fazer as coisas com calma.
Quando meu pai chegou hoje em casa, o clima ficou mais pesado. Eu fui até tomar banho, porque normalmente eles esperam eu sair pro japonês pra conversar, mas hj não foi assim.
E enquanto eu ainda estava no chuveiro ouvi meu bater na porta pra me dizer que estava indo embora. Simples assim.

Minha mãe disse que ele ficou nervoso ameaçou levantar a mão pra ela, coisas assim de agressão. Eu ia falar o que com um argumento desses? Não sei quem tomou a iniciativa mas está feito.
E eu nem sabia o que pensar. Não fazem nem 10 anos da última vez que isso aconteceu, mas eu não lembro como foi, não lembro o que eu senti, nada. Nenhuma memória. E eu não sei o que fazer, além de estar muito preocupada com a minha irmã, que só vai saber da notícia quando vier aqui.
Minha mãe falou que não era pra chorar, nem fazer drama. Estive tão estóica que não tinha nem certeza se respirava. E já faz tempo eu pensei nisso, em como ia ser se isso um dia acontecesse. E eu sempre pensei 'eu sou adulta, pra mim não faz a menor diferença'. Mas uma tristeza muito grande tomou conta de mim.
Mas eu não podia chorar, afinal de contas, não sou eu que sou casada, e acho que a minha vontade não tem valor nenhum. E eu ainda tinha que ir pra aula de japonês.
Minha mãe ainda pediu pra eu mentir, não falar nada. Como? Não tinha nem 2h que eu ouvi meu pai falar que ia embora, sem poder nem me despedir. E a minha vida já mudou, eu ia pro japonês, a pé. Tão diferente.

E eu saí com o melhor sorriso falso que eu tenho, por causa dela. E não consegui me distrair, mesmo com uma aula toda especial, em comemoração ao dia das meninas. E nem queria voltar pra casa mas tinha que vir, porque ia andando sozinha e quanto mais tarde mais perigoso.
Queria fazer alguma coisa que me fizesse sentir melhor, mas não vi opção nenhuma. Algo que me tirasse essa sensação de estar perdida. De ter perdido alguma coisa.
E não foi uma perda financeira. Perdi meu pai, perdi minha família. Especialmente porque ele está em alguma pensão no plano, mais perto do serviço, e mais longe daqui.
Não vou mais levantar de manhã e ir com ele junto pra faculdade, conversando. Ou voltar de carro e passar na padaria. É toda uma convivência que eu não vou ter mais.. Fora tudo que ainda está por vir, os acordos, quem fica com que e onde. Eu queria morar sozinha, pra não ter que escolher ficar com ninguém, porque só com nenhum dos dois eu me sinto satisfeita. Com os dois também não, mas não vale a pena morar sozinha. Se bem que se eu morasse sozinha antes, eu veria isso de outro jeito.
E ninguém me perguntou o que eu queria, mesmo porque não adianta nada. Os dois cometeram erros, mas somos nós,os filhos,que vamos pagar por isso.

Eu tento pensar que tem alguma coisa boa com isso. Como poder ir visitá-Lo qnd quiser. Mas a sensação de perda é muito grande.
Porque eu tenho a impressão de que não tem volta. E não posso me dar ao luxo de nutrir falsas esperanças.

E eu fico aqui perdida no quarto, sem saber o que fazer. Minha mãe veio me perguntar o que eu acho. Eu não sei como eu mantive séria e perguntei apenas se ela acha que eu estou feliz com a situação toda. Não sei, na minha posição neutra e até egoísta, eu acho que quem passou tanto tempo assim devia esperar mais alguns anos. E se separassem depois que os filhos estivessem morando sozinhos. Afinal, eles não são do tipo q briga sempre todo o dia, mas se são dois burros que não sabem ceder ou chegar a um acordo.. Ela foi dormir e ainda teve a cara de pau de falar pra não comentar nada com Ele, pq as pessoas podem ficar sabendo.
Eu não posso chorar, não posso reclamar, não posso achar ruim e não posso comentar com ninguém. Será que não é um pouco demais, não?
Melhor parar por aqui, porque eu já estou com raiva da minha mãe, especialmente pq acho que meu pai forçou a situação até ela mandar ele embora (pq ele sozinho nao teria coragem, talvez tbm nem td essa vontade de sair) E eu não quero tomar partido.
Putz, que ano bom esse 2007...

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